É importante rejeitar uma certa ideia popular de gosto estético, a ideia cuidadosamente guardada na máxima familiar de que “gostos não se discutem” (“de gusbitus non est disputandum”). É claro que ninguém acredita realmente na máxima latina: são precisamente as questões de gosto que os homens têm mais propensão para discutir. A preferência significa para nós mais que mero prazer ou satisfação. É o resultado do pensamento e da educação. Exprime sentimentos morais, religiosos, políticos e outros com que a nossa identidade se confunde. Tal como em casos de moral e de ciência, não podemos empenhar-nos numa discussão estética sem sentirmos que a parte contrária está errada.
As preferências podem ser educadas; não são em regra, o resultado de um processo de treino como o que seria ministrado a um cavalo ou a um cão. Pelo contrário, os gostos são adquiridos pela instrução, pela aquisição de conhecimentos e o desenvolvimento de valores.
